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Sunday, 21 June 2015

REMBRANDT e a natureza transcendental da arte


A arte de Rembrandt é um legado que testemunha a grande capacidade humana de transcendência, da transformação do infortúnio e da dor em amor. Suas obras do ultimo período exprimem com arrebatamento essa compreensão do mundo. Uma espécie de consolação para o espírito, um alento para os questionamentos da nossa condição humana. O encontro da beleza com o sentido da vida.
Seu valor artístico vai além da estética e da genialidade pictórica, da técnica propriamente dita. Empurrou seus limites além das fronteiras do imediatamente visível e louvável,  expandindo os caminhos  e significados de sua arte. Sua vida sofreu drásticas mudanças durante as quais ele continuou a criar a despeito das adversidades.
   
    Retrato de um casal, como Isaac e Rebecca - mais conhecido como "A noiva Judaica". o/s/t 1665-1669. 121,5m x 166,5m. Rijksmusem, Amsterdam.

Um casal é retratado em roupas históricas como os personagens bíblicos Isaac e Rebecca. Nada se sabe de concreto sobre quem seriam esses personagens na vida real. A teoria mais aceita é que seria um casal de contemporâneos  eternizados no dia de suas bodas. O que é reforçado por esboços do próprio Rembrandt. Especula-se também sobre a jovem noiva e seu zeloso pai que enlaça um colar de pérolas ao seu pescoço - de onde vem o segundo nome do quadro - A Noiva Judaica - apelidado por um comerciante de artes do século 19.
Rembrandt captou a intensidade e intimidade dos sentimentos entre o casal de modo profundo e terno. Oi dois formam uma única figura conectados pelo sentimento que os une. Delicadeza de gestos e expressões. Aqui Rembrandt expressa toda sua maturidade artística. A luz que jaz sob grossas camadas de tinta na manga do noivo revelam uma técnica que somente anos depois seria retomada por outros artistas. Van Gogh teria dito sobre essa obra: " Eu seria feliz em dar dez anos da minha vida se pudesse continuar aqui sentado em frente dessa pintura por uma quinzena, com apenas um pedaço de pão seco para comer."


Construiu sua carreira seguindo a formação tradicional dos artistas da época. Frequentou uma escola onde a ênfase eram os estudos bíblicos e clássicos e a oratória. Aprendeu o oficio da pintura junto de renomados mestres. Em Leiden sua cidade natal, com Jacob van Swanenburch e em Amsterdam posteriormente, com Pieter Lastman. Com o primeiro recebeu as técnicas básicas do oficio e com o segundo foi treinado como pintor de gênero histórico. Esse tipo de pintura era considerado o mais sofisticado de todos. Personagens bíblicos, históricos e mitológicos eram representados em cenas complexas. Trabalhou para eles, de acordo com o sistema das guildas e mais tarde teve seus próprios alunos e seu próprio atelier. 
Entre os principais pintores holandeses foi um dos poucos que teve reconhecimento e prestigio enquanto ativo. Ganhou dinheiro, fama e status por algum tempo.
No inicio pintou muitos retratos e auto retratos, estes últimos foram mais de oitenta. O uso de seu próprio rosto como assunto pictórico pode ser considerado apenas por questões praticas ou até mesmo como commodity, já que o tema era bastante popular e vendável na época. Um período na Holanda seiscentista prospero para o mercado da arte. Visto sob a perspectiva do presente, seus auto retratos são um registro de como a visão de si mesmo, reflete a evolução interior de seu estilo.
Logo vieram as pinturas históricas, bíblicas e mitológicas, temas recorrentes durante os anos na sua carreira.  A gravura foi outra modalidade de arte na qual ele foi um verdadeiro mestre.




Self Portrait , 1959. National Gallery of Art- Washington, D.C.
Rembrandt fez inúmeros auto retratos. Aqui um dos últimos, ele se revela em sua plenitude, tanto como ser humano quanto em sua maturidade como artista. Honestidade, franqueza e dignidade. 



Liberdade de ser e criar 

Através de toda a sua vida o mundo visível foi a fonte imediata de suas inspiração. A impermanência, os acasos e imperfeições, a matéria bruta que compõe a vida comum e diária. Rembrandt  foi uma alma livre. Rejeitou os padrões de beleza e feiura convencionalmente aceitos na época, escolhendo seguir seu próprio caminho. Sua obstinação e rebeldia nunca permitiram que fosse governado por quaisquer convenções que não as que ele mesmo acreditava. 
Representou as figuras e acontecimentos bíblicos de modo laico e modesto. Seus personagens parecem pessoas comuns, gente do povo ao invés de santos, profetas ou filósofos. São representados de forma crua, sem maquiagem ou arranjos que pudessem “emprestar”  algum tipo de dignidade, pompa ou status ao tema/objeto representado. Foi hábil em captar os estados de espírito de seus retratados e através de suas mãos o espectador é capaz de vislumbrar aspectos além da trivial aparência. 
Segundo o historiador Arnold Hauser: “Rembrandt atinge uma fase de desenvolvimento...diretamente depois do primeiro período como retratista; desse período em diante, a pintura é para ele uma forma de comunicação pessoal e direta...que converte em realidade tudo que o olho capta e possui”.
Nos últimos dezoito anos sua arte sofreu uma radical transformação. A partir de 1942 sua vida é marcada por crises: incertezas interiores e problemas exteriores. Entra em crescente colapso financeiro e perde sua esposa Saskia, com a qual teve o filho Tito e outros três natimortos. Reduz drasticamente sua produção e seu trabalho passa a ser mais experimental, ganha profundidade psicológica e um caráter mais intimista. 
Muitas especulações cercam a vida do artista nesse período, criando um mito que muitos autores contribuíram em manter. Faltam no entanto, registros concretos sobre o que de fato teria provocado mudanças tão drásticas na sua vida privada e profissional.



Bathsheba com a carta de David. o/s/t 1654. 142m x 142m
A Bíblia fala do amor do Rei David por Bathsheba a mulher do guerreiro Uriah. O Rei convida Bathsheba ao seus aposentos através da carta em suas mãos. Ao invés do clássica representação, Rembrandt escolhe nos mostrar a cena de modo diferente. Ele foca no conflito interior de Bathsheba: deve permanecer fiel ao marido ou se submeter aos desejos do Rei?


Gravuras
Rembrandt é considerado um dos maiores gravuristas de todos os tempos. Sua importância na arte gráfica compara-se a Durer. Explorou a gravura nas técnicas de água forte e ponta seca com uma riqueza de possibilidades e detalhes deslumbrantes, produzindo obras de rara beleza. Em pequenos formatos suas gravuras são como pequenas joias lapidadas. Mínimos detalhes, a distribuição sutil e delicada da luz e das sombras, os espaços ocupados e os vazios na composição. Quem já fez gravura consegue compreender melhor o que isso significa. É uma técnica extremamente precisa, exigente. O artista deve ser rigoroso, perseverante, não só total dedicação e técnica mas sobretudo talento. Com certeza as gravuras de Rembrandt vão além disso, exprimem uma gama de efeitos não só técnicos mas de amplo espectro emocional.



O Sepultamento. 
Gravura: água forte e ponta seca; Entre 1952/1956. (21,1cm x 16,2cm)
Cristo esta sendo colocado na tumba enquanto seus entes queridos o rodeiam em espírito de luto. Quase tudo permanece na sombra enquanto o corpo de Cristo é iluminado pela tocha atraindo imediatamente nosso olhar - escondida atrás do homem de costas para nós,  As áreas de sombra na cena consistem em fortes e expressivas linhas paralelas dando a tensão necessária ao todo.  A escolha do tipo de papel, nesse caso papel Japonês amarelo, reforça o amarelado da tocha de luz. A cena é dramática e triste mas ao mesmo tempo suave e amorosa. Tudo isso em apenas 21,1cm x 16,2cm!



Os trabalhos do período final
O Rijksmuseu apresentou recentemente uma exposição  dos trabalhos tardios de Rembrandt, dos últimos dezoito anos de sua carreira. A exposição explorou dez assuntos que "conversam" com o espectador sobre os motivos mais recorrentes na sua carreira. Luz e sombra, os auto retratos, convenções sociais, técnicas experimentais, intimidade, contemplação, conflitos internos e reconciliação.
Mais de cem obras entre pinturas e gravuras. Uma coleção temporária merecedora de toda a honra, entrega, olho e silencio. Ali o mestre se mostra em toda a sua plenitude. O passar do tempo só fez crescer sua arte. Os auto retratos revelam ao mesmo tempo o artista e o ser humano. A passagem impiedosa do tempo nos devolve uma imagem cheia de dignidade e integridade. Os olhos que nos perseguem no espaco da sala de exposição são  intensos e puros. Um longo e honesto  olhar de quem viveu e trabalhou intensamente. Sabedor de que seu oficio transcende o tempo e a matéria e que um dia nos encontraríamos aqui e agora no futuro.
Rembrandt explora  perspectivas inovadoras na posição de seus retratados revelando-nos seus sentimentos mais íntimos, uma forte característica desse período. Muitas das figuras são  contemplativas, em obras de grande formato: filósofos, profetas, figuras mitológicas, apóstolos. Há uma comunicação imediata com eles, através do olhar, de suas expressões faciais, densas ou  introspectivas, recolhidas em pensamentos longínquos. Sugerem que algo importante está acontecendo ali, seja no plano do mundo físico e visível ou no reino dos pensamentos e emoções. 


AS CORES.
Cores, luz e sombra. Elementos que o mestre soube como ninguém potencializar, elaborando-as em refinadas misturas. Cores quentes, cheias de energia, afabilidade e ternura. Nos colocam muito próximos do momento em que as coisas acontecem, das emoções dos personagens. Quanta riqueza de nuances nas camadas que se sobrepões umas as outras formando texturas quase palpáveis aos olhos. Irradiam uma energia que acalma e afaga. Sentimos empatia, um vinculo que nos une e conecta ao universo de Rembrandt.
Talvez esteja aí o porque de nos sentirmos capturados, abduzidos para dentro das telas. As cores nos seduzem, acariciando-nos com seus tons mornos e aveludados, nos levam por enigmáticos caminhos cheios de significados. Nos sentimos tão bem junto dessas imagens, que não temos vontade de partir. 


Jacó abençoando os filhos de José. o/s/t 1656. 1,73m x 2,09m. 
Gemaldegalerie Alte Meister, Kassel.
Quando Jacó adoeceu, seu filho José trouxe seus filhos para serem abençoados pelo avô. Tradicionalmente a primeira bênção com a mão direita era reservada para o filho mais velho, mas Jacó favoreceu o mais novo. A maioria das ilustrações dessa cena bíblica mostram José muito bravo tentando corrigir seu pai. No entanto aqui, Rembrandt faz sua própria interpretação. Ele escolhe a harmonia ao invés do conflito. José entende a escolha do pai e gentilmente apoia a mão do velho homem.


No seu tempo havia uma convenção em como pintar narrativas históricas, bíblicas e mitológicas. Certas passagens serviriam melhor para ilustrar a mensagem do que outras. Mas ele ousou romper com a tradição escolhendo momentos após um conflito ou tensão onde o personagem reflete sobre seu pesar e se reconcilia com Deus (como em Jacó abençoando os filhos de José, acima).
Joshua Reynolds compara o estilo tardio de Rembrandt com a natureza: "O trabalho (de Rembrandt) produzido de forma "acidental", tem o mesmo livre e desenfreado aspecto que as obras da natureza...". Reynolds se refere as pinceladas livres, soltas, quase que feitas ao acaso. Visto de perto algumas dessas obras parecem ter sido feitas de modo casual. As camadas de tinta, texturas, o rápido e visível rastro do pincel. Em italiano uma expressão dita sprezzatura se refere a esse estilo: um trabalho que parece ter feito ao acaso, um descuido estudado. Fazer algo parecer fácil escondendo os esforços utilizados na sua execução.
Rembrandt é um mestre que merece uma atenção especial, sua obra é rica em significados e leituras. Desvendar seus segredos é um caminho cheio de surpresas e aprendizado.




Uma mulher se banhando em um córrego (A Woman Bathing in a Stream). o/s/t 1654. The National Gallery, London.
Perdida em seus próprios pensamentos uma jovem se banha num córrego levantando o vestido. Ela aparenta estar sozinha...poderia talvez ser a heroína bíblica Susana que é espiada pelos dois libidinosos anciões, como conta a história bíblica. Tal como eles, nos encontramos como voyeurs à espreita da imagem absorta, sensual e delicada da jovem Susana.



"When it comes to the great themes of human existence, there is still no one above Rembrandt." Mark Hudson, The Telegraph



*Rembrandt  van  Rijn   15 Julho 1606 – 14 Outubro 1669 (site em inglês sobre a    vida e obra de Rembrandt
*RIJKSMUSEM - mais obras de Rembrandt





Jovem mulher dormindo. cerca de 1654.




Wednesday, 22 May 2013

Rembrandt e The Night Watch








The Night Watch é um emblema na arte holandesa. Uma das obras mais procuradas pelo público e com certeza uma das mais importantes e complexas da história da arte. Mas, sobretudo uma das marcas mais ousadas do mestre Rembrandt, um dos mais controvertidos mitos na história da arte.

É um grande retrato de grupo pintado no século 17 (1640/42). A Companhia da Guarda Civil do Capitão Frans Banning Cocq que se prepara, segundo as ordens do capitão para um desfile. Mas se tratando do mestre Rembrandt vai muito além de um simples retrato. Transformou o tradicional retrato holandês de grupo, estático e pomposo, em uma cena cheia de movimento, luzes, brilhos e cores. Inovou não só na técnica, ousada para a época, mas acrescentou significados que transcendem o puro virtuosismo. Ao longo do tempo a obra foi estudada e analisada inúmeras vezes, trazendo contribuições e diferentes pontos de vista para sua interpretação. 

Na verdade a obra tem uma história tão turbulenta quanto o aglomerado de gente que se acotovela diante dela no Salão de Honra (Hall of Honour) no Rijksmuseum em Amsterdam, onde está exposta.
A começar pelo nome como é popularmente conhecida, que na verdade é um equívoco. Nada tem de “night” ou “watch” na cena. Recebeu o apelido por volta do final do século 18.
Em português Night Watch seria Ronda Noturna. Uma prática destinada a proteger a cidade, em tempos de lutas pelo domínio (mas isso era lá pelos séculos 15/16). Acontece que no tempo em que foi pintada, século 17, já não servia mais como outrora. Suas reuniões tinham mais um fim social do que outro qualquer. Quando ganhou o apelido de Night Watch pelos críticos e público a obra tinha sofrido muitas alterações por parte de negociantes de artes e até colecionadores. Com o intuito de protegê-la da sujeira foram adicionadas camadas e mais camadas de verniz tonal sobre a superfície. A pintura foi adquirindo um tom escuro o que levou a pensar que a cena se passava de noite. Somente em 1947 a obra foi devidamente restaurada trazendo a tona sua cor e brilho originais, como de fato era há 300 anos antes quando deixou o atelier de Rembrandt. Revelou-se então que a cena na verdade se passava durante o dia. E passaram então a chamá-la de Day Watch, o que certamente não vingou.

Outras palavras...

A obra é de grande impacto visual. Assim que seu olhar a encontra você percebe e sente que algo maior está acontecendo ali. De grandes proporções (379.5cm × 453.5cm), esteticamente dramática por conta do chiaroscuro (uso gradual de luz e sombras) que Rembrandt sabia manipular tão bem - e ao seu modo. A cena é repleta de energia, vida e movimento. O som do tambor que anuncia a iminência do desfile, as armas e mosquetes tilintando, os dois personagens principais discutindo as ordens a serem dadas, as vozes de excitação dos homens, o cão latindo, as crianças gritando. A sensação de movimento é ampliada por conta das linhas diagonais e contrárias em ambos os lados. Cheia do esplendor exuberante do barroco. Rodeada de uma aura de mistérios, controvérsias e simbologia.
Historiadores, biógrafos e estudiosos de Rembrandt especularam incansavelmente sobre suas obras e sua vida. Ronda Noturna foi uma das obras mais controvertidas segundo esses críticos. Alguns deram um tom mais romântico aos acontecimentos que a cercaram. Outros, um estudo mais pragmático focando tão somente as características técnicas e formais da pintura.
Sem dúvida a obra quebrou paradigmas na época, afinal o retrato de grupo clássico holandês era formal e dignificava a aparência, o status e condição social de seus integrantes. Rembrandt quebrou tudo isso, ousando na unidade da composição, ao invés de detalhar cada personagem. A encomenda foi paga rateando o custo entre os membros da Guarda Civil, como era o costume. Segundo a ordem de importância dos retratados: quem importava mais, pagava mais, aparecia mais.
Algumas teorias dizem que a obra foi mal recebida pelos integrantes da Guarda Civil devido ao choque do inesperado e renegada a um lugar obscuro. Outros dizem que após Ronda Noturna a vida profissional do artista decaiu drasticamente e que ele não teria recebido mais nenhuma encomenda. Retirando-se do convívio público e se libertando de vez dos dogmas da arte. Fazendo somente o que lhe convinha.
De fato após a entrega da obra em 1942 a carreira do mestre sofreu algumas mudanças. A falta de registros e dados concretos a respeito desse período contribuiu para a criação do mito e do enigma que se criou. As explicações são as mais diversas: Rembrandt perdeu sua esposa Saskia bruscamente, logo após a conclusão da obra (após três perdas anteriores de seus filhos). A chegada do Classicismo, importado da França, também pode ter contribuído para excluir as ousadias e intransigências da pintura do mestre do gosto popular. A elite de então pode ter preferido o gosto mais aveludado e delicado da arte de Van Eyck ao invés da profundidade de Rembrand. Os tempos mudavam. 

No livro Rembrandt's Nightwatch: the Mystery Revealed, do pintor e arte historiador Georges Boka as idéias vão mais longe e muito além das aparências. Segundo o autor, Rembrandt fez duas composições que se sobrepõe. Na primeira composição, a evidente encomenda, segundo as diretrizes do retrato do grupo. A outra, nas entrelinhas da totalidade, escondida entre a multidão e o barulho, Rembrandt quis fazer uma homenagem a sua família trazendo à cena sua amada Saskia e seus três filhos (os quais já tinham morrido). Imortalizando-os através de sua obra. A teoria de Boka se baseia em estudos puramente empíricos. Ele traça algumas linhas sobre a pintura e através de suas intersecções constrói um raciocínio que nos leva a encontrar os personagens escondidos na obra. Na linha principal a qual ele chama de Linha da Vida passam todos os entes queridos do mestre, inclusive ele mesmo num auto retrato. A menina iluminada em dourado seria a própria Saskia de acordo com similaridades encontradas em outras obras em que ela foi retratada pelo artista. As crianças estariam logo atrás da figura dela, mais sugeridas do que claramente visíveis. O próprio Rembrandt apareceria duas vezes na obra. Outras hipóteses acrescentam inclusive símbolos da cabala na interpretação da obra.
Mas isso tudo são apenas especulações sem nenhum fundamento concreto, idéias baseadas apenas em suposições.
Outros estudiosos mais acadêmicos como o historiador de arte americano Seymor Slive, especialista na arte barroca holandesa, põe abaixo todas as teorias românticas e especulativas sobre o assunto. Ele acredita no gênio criativo de Rembrandt.  Sua análise é fundamentada em fatos históricos concretos e no aspecto pictórico da obra. Apesar de ter sido de fato ousada para a época, não há absolutamente nada que demonstre a insatisfação dos integrantes da Guarda Civil. O Capitão Banning Cocq teria inclusive uma aquarela de Ronda Noturna em seu álbum pessoal. Os lugares onde a obra permaneceu depois de entregue foram aqueles para os quais estava destinada, lugares de honra e orgulho. Rembrandt recebeu cerca de 1600 florins pela obra e algum tempo depois o Príncipe de Orange lhe pagou 2400 florins por duas obras menores. O que atesta a popularidade do artista e não sua exclusão do meio como muitos atribuem. O mito foi criado em torno da falta de documentação, de dados concretos a respeito da obra e vida do pintor. Um fato comum na Holanda daquele período.
O fato que permanece além do mito, do tempo e do folclore é a presença da obra de Rembrandt entre nós. Além do aspecto físico, além da técnica, das tintas e do virtuosismo. Ele nos deixou um legado através de sua obra. Estar diante de um Rembrandt, olhar através das qualidades evocativas das sombras e luzes é perceber o grande homem que existiu ali. A dignidade e humanidade de seus personagens nos falam coisas que somente os grandes mestres têm o poder de nos despertar.



*Os personagens principais da obra são o capitão Frans Banning Cocq (de vermelho), seu tenente (de amarelo) e a garotinha iluminada em dourado. Acredita-se era ela a mascote do grupo. 
*O nome original da obra é Nachtwacht Company of Captain Frans Banning Cocq and Lieutenant Willem van Ruytenhurch.
*O retrato figuram 18 membros da guarda civil, mais 16 personagens anônimos acrescentados por Rembrandt para dar mais movimento a cena.
*A Companhia é liderada pelo capitão Frans Banning Cocq - vestido de preto, com uma faixa vermelha; e pelo tenente Willem van Ruytenburch - vestido de amarelo;
 *Rembrandt acrescentou o emblema tradicional da Companhia simbolizado na garota. Ela é uma espécie de mascote: as garras de uma galinha morta em seu cinto representam os clauweniers/kloveniers (arcabuzeiros, soldados que usam uma arma chamada arcabuz), ela também carrega o chifre de bebidas dos kloveniers, a cor amarela representa a vitória. O homem na frente dela está usando um capacete com uma folha de carvalho, um tema tradicional dos Kloveniers. A galinha morta também é utilizada para representar um adversário derrotado.
*Por causa dos “estragos” feitos pelo verniz a obra esteve protegida de ataques diversas vezes por pessoas mentalmente perturbadas. Devido as camadas de verniz, a superfície tornou-se tão dura que impediu que a obra fosse destruída.
*Ronda Noturna foi encomendado e projetado para o Grande Salão do Kloveniersdoelen, em Amsterdam, onde permaneceu até 1715 quando foi transferido para a Câmara Municipal da cidade, na Praça Dam. Originalmente era um pouco maior. Como não se adaptava ao espaço na Câmara Municipal foi cortado em três lados para se encaixar no local. A tela original deve ter medido cerca de 400 por 500 centímetros.
*Uma cópia de Night Watch pintada por Gerrit Lundens (c. 1655) após a original ser entregue e demonstra como a obra era muito mais dinâmica e coesa antes das alterações. Esta obra pertence ao National Gallery em Londres.



Saturday, 10 October 2009

alimento pra alma, acontecendo por aqui...

VAN GOGH MUSEUM ( http://www.vangoghmuseum.nl/ ) Van Gogh's Letters - The artist speaks (9 Outubro a 10 Janeiro 2010) Mais de 120 cartas originais (nunca antes apresentadas ao público por sua fragilidade) escritas por Van Gogh, que também foi brilhante no uso da palavra. Apresentadas com outras obras relacionadas, da coleção do Museu. O Van gogh Museum juntamente com Huygens Institute of the Royal Netherlands Academy of Arts and Sciences levaram mais de 15 anos nas pesquisas das correspondências de Van Gogh, e culminaram na publicação de 6 livros em três idiomas. Alfred Stevens - artista belga (1823-1906) . Viveu e trabalhou em Paris na segunda metadedo século 19. Seu tema principal foram figuras femininas. Intrigantes, distantes e misteriosas. Ao todo são 64 pinturas.

RIJKSMUSEUM ( http://www.rijksmuseum.nl/ )

Highlights of the golden age - exposição permanente das obras clássicas do período mais destacado da arte holandesa. Obras como Night Watch de Rembrandt Van Rijn.
Hendrick Avercamp / The Little Ice Age - 20 de Novembro a 15 de Fevereiro 2010. Avercamp é considerado o melhor pintor holandês de paisagens invernais do século 17. Drawings by Jacob Cats (1741-1799) - 1 de Setembro a 30 de Novembro 2009. O museu adquiriu 4 exepcionais aquarelas em grande formato que estão sendo apresentadas.

HERMITAGE AMSTERDAM ( http://www.hermitage.nl/ )

At the Russian Court , Palace and protocol in the 19th century -20 de Junho a 30 de Janeiro 2009. Exposição com mais de 1800 objetos que recriam a vida na corte Russa durante o século 19, no reinado dos czares. Vestimentas, porcelanas, pinturas, objetos decorativos, fotografias, etc.

Old love, New directions / 20 years collecting for the Rembrandt House - 11 de Setembro a 29 de Novembro 2009. Uma homenagem a Ed de Heer, que se aposentou recentemente como Diretor do museu e fez importantes aquisições e mudanças no museu. São cerca de 75 obras gráficas de antigos mestres ( muitas gravuras de Rembrandt) e artistas contemporâneos.

COBRA MUSEUM (Amstelveen) ( http://www.cobra-museum.nl/en/home.html )

Cobra family -27 de Junho a 11 de Outubro 2009. Obras do acervo do museu, pinturas, filmes, fotos, expostas juntamente com trabalhos feitos pelas crianças e jovens inspirados nos trabalhos dos artistas. Lazer e diversão pra toda familia. Oficinas podem ser agendadas todo fim de semana pra crianças de todas as idades.

FOAM_FOTOGRAFIEMUSEUM EXHIBITION ( http://www.foam.nl/ )

Charlotte Dumas (Vlaardingen, 1977 )- Paradis -4 september - 22 november 2009. Fotografa netherlandesa expoe retratos de animais. PRUNE – abstracting reality - 18 September - 9 December 2009. Diversos artistas, abordam a questão entre realidade e abstração na fotografia. Leonie Purchas (1978, United Kingdom). - In the Shadow of Things 11 September - 25 October 2009. A artista explora as complexas relações familiares. Foam_3h: Saskia Dommisse - Mindscapes 11 September - 6 November 2009. Dommisse parte de paisagens reais e recompõe-as, transformando o que ela chama de "paisagens da imaginação".

HET MUZIEKTHEATER ( http://www.muziektheater.nl/english/ ) Het Nationale Ballet La bayadère - 10 a 25 de Outubro 2009 Ballet de Khudenov com música de Ludwig Minkus. Drama romântico que narra a estória do amor entre a dançarina Nikiya e o guerreiro Solor.