Wednesday, 9 June 2010


I amsterdam!!!

Todas as cidades têm seu charme. Umas mais do que outras tem um carisma especial, algo que as torna inesquecíveis, peculiares.
Cidades que nos recebem sorrindo, onde nos sentimos tão à vontade entre seus braços que já na chegada sentimos saudades, como se um pouco de nós já vivesse ali antes.
E dentro do nosso afeto fica latejando uma vontade de estar pra sempre ali. Sentimo-nos parte integrante e integrada daquela paisagem.
Amsterdam é uma dessas cidades especiais: tem encantamento, graça, mistério, romantismo e beleza que se juntam para enfeitiçar e roubar um pouco da alma do viajante, do habitante ou de quem quer que se aproxime dela. Cheia de segredos escondidos, ao turista mais incauto parece ter pouco a oferecer, pouco tempo pra ser desvendada, porque não é tão grande assim...
Ledo engano! Amsterdam é feita para espíritos curiosos, ávidos para conhecerem os segredos alheios, cheios de imaginação. Desse modo, e somente assim, começa-se a conhecer e apreender um pouco da sua magia e beleza, de tudo que a cidade tem para oferecer.
Águas fluindo através dos canais atravessando pontes, levando barcos e pessoas, coração maravilhado, cheio de promessas a serem cumpridas... E a cidade promete!
A Arquitetura típica holandesa, sem igual no mundo faz viajar com os pés nos chão. Evocam lembranças de um tempo remoto, instigando a imaginação e o olhar que penetra sorrateiramente pelas grandes janelas escancaradas aos passantes, herança cultural do Calvinismo nos Países Baixos. Fachadas estreitas e histórias longas: o solo pantanoso, os impostos altos, a luta contra as águas, o desnível do mar ou o planejamento urbano ordenado, fizeram as casas crescerem para o alto.
Histórias contadas a bordo de românticas charretes passeando pelo centro da cidade ou através de pinturas e fotografias dentro de um museu, ou simplesmente andando pelas ruas estreitas ou generosos canais que sempre revelam alguma surpresa logo adiante. Um enorme parque, um mercado de rua tipicamente holandês, com seus queijos, stroopwafels (delicioso doce típico) e flores, muitas flores! Elas estão em toda parte, enfeitando e colorindo as ruas, mercados e casas de todos holandeses e moradores.
Bem como os museus, de todos os tipos: tem museu de artes, museu etnográfico, antropológico, museu de bolsas, museu erótico, museu histórico, casa-barco museu, casa-museu, museu de escultura, museu de diamantes, museu da fotografia, etc. Generosamente se espalham pela cidade expondo sua parte mais nobre: arte e cultura pra enriquecer o espírito. Música e dança também são acontecimentos cotidianos na agitada vida cultural da cidade, alegrando e encantando com arte e poesia.
Na grande Museumplein onde se encontram os maiores museus de Amsterdam e da Holanda, também está o grandioso Concertgbouw, onde musica e músicos de todos os estilos e todos os lugares do mundo se encontram para elevar e alimentar o coração.
Amsterdam é feita de porções de história, e cada esquina tem algo para ver, para descobrir. Uma portinha quase escondida de repente se abre e revela um magnífico jardim do século 14, feito de flores e de silêncio, o Begijnhof. Logo ali adiante outra porta e estamos numa capela cheia de paz que abraça e convida a meditar em pleno centro da cidade. Os pensamentos vão longe, se distanciando do burburinho das pessoas que transitam e passam velozes em suas bicicletas por todas as ruas da cidade.
Bicicletas de todas as cores, de todos os modelos e tamanhos. Tem pra gente grande, pra gente pequena, pra carregar todos os filhotes, para carregar as compras, as coisas, e tudo o que puder imaginar. Bicicleta pra gente pequena é assim: duas rodas e sem pedal, desde bem cedo os pequenos aprendem a se equilibrar e mais tarde um pouco, aos três anos já pilotarem a própria bike pelas ruas junto com os pais.
Bicicletas em Amsterdam são coisa séria e tem prioridade absoluta no trânsito. Respeito e ordem no aparente caos.
Amsterdamers são assim, ordenados, organizados, alegres, festivos, culturais, efervescentes, poliglotas, altos, simpáticos, etc, etc. Gente que sabe acolher, sorrindo. Mentalidade aberta para o novo, para o desconhecido, tabus aqui não existem e todos os assuntos são tratados com transparência e equidade. Franqueza e tolerância são seus pontos fortes, marcas de um passado que deixou indelével sua marca no caráter nacional do povo holandês.

Amsterdam 8 Junho 2010.

*Portal oficial de Amsterdam IAMSTERDAM

Wednesday, 2 June 2010

A MINHA CIDADE, o meu lugar

                                            Kloveniersburgwal, city centre Amsterdam (10/03/2010)

A MINHA CIDADE, o meu lugar

Lugares são assim como pessoas, tem personalidade própria.
Você já parou pra imaginar se sua cidade fosse uma pessoa?!
Ela seria homem ou mulher?! Romântica, pragmática, fria ou esnobe, elegante ou casual?! Jovem ou velha?! E o clima então?!
É determinante na característica principal de um lugar, define e determina o perfil que ela tem. Cidades quentes, ensolaradas combinam com um temperamento caloroso, alegre e provocante.
Os Sentidos.
Climas frios e nublados evocam memórias, pensamentos introspectivos, virar-se pra dentro, um certo romantismo no ar.
O Intelecto.
Sempre que conheço uma cidade diferente fico tentando imaginar como ela seria "personificada de gente", qual o seu jeito, sua idade, seu estilo, se ela fala alto ou sussurra, canta e é feliz, ou triste e saudosa... É uma brincadeira interessante, e ás vezes nos surpreendemos com revelações que passariam despercebidas num olhar desatento.
Acredito que por isso gostamos mais ou menos de determinadas cidades, não exatamente pelas suas feições físicas ou pelo que elas têm a nos oferecer ou não. Temos mais afinidades com umas menos proximidade com outras. Do mesmo jeito que com pessoas.
Eu prefiro o inverno, por isso amo lugares frios. Consequentemente amo minha cidade.
E digo assim, minha cidade pra indicar que essa é a maneira como meus olhos a vêem.
UM olhar, e apenas um dentre milhares de outros. Afinal o meu lugar no mundo é no centro de mim mesma (ou pelo menos é como deveria ser...).
Imagino que se ela fosse pessoa, seria uma jovem mulher, independente, dona de seu próprio nariz, com idéias muito próprias, uma pessoa autêntica e acima de tudo muito tolerante.
Feliz e de bem com tudo e todos. Seu lema seria: Vive e deixe viver!
Mesmo nos seus dias mais nublados e chuvosos é cheia de surpresas a cada esquina. Sempre generosa a oferecer seus braços abertos a todos que a procuram.  Ahhhh...Amsterdam, cidade libertária por excelência, berço da contracultura. Segundo Matteo Guarnaccia que escreveu Provos - Amsterdam e o Nascimento da Contracultura, aqui nasceu o gérmen do movimento que depois influenciou beatniks e hippies da América. Os Provos foram jovens libertários que através de provocações instigaram mudanças, desorganizando a vida da sociedade local, instigando a mudança de hábitos, atitudes e costumes. Mas esse assunto dá post pra outra hora.
As cidades tem alma e os países também, de uma forma mais generalizada. Sua história fica impregnada na arquitetura, nos muros, monumentos e ruas com toda a gama de experiências pelas quais passaram. Andar pelas ruas de uma cidade olhando calmamente suas casas, prédios e arquitetura nos mostra um pouco do modo de ser daqueles habitantes. Como sentem, como pensam e vivem suas vidas. Sentir os cheiros da cidade, suas cores, seu padrão e a organização presente (ou a falta dela) nos possibilita apreender e aprender um pouco mais daquele lugar.
Como é interessante perceber no jeito de ser de seus habitantes de seu povo, no caráter nacional, todo o teor dos acontecimentos de seu passado: a Holanda e sua luta contra as águas marcou o caráter extremamente pragmático e organizado dos holandeses; Itália e a influência dos etruscos, gregos e romanos. Sua história medieval de disputas acirradas entre reinos os tornaram um povo altivo. E o que dizer do povo brasileiro e suas misturas: escravos negros+ indígenas+imigrantes europeus.Um mix de ginga, alegria e perseverança, só pra começar.
E viva as diferenças! Se somos todos iguais perante nossa condição humana, nossa história e o lugar onde nascemos, crescemos e vivemos nos torna tão singularmente diferentes e tão complementares porque não!?

Saturday, 22 May 2010



A CASA QUE SONHA...

“Pois a casa é nosso canto do mundo. Ela é, como se diz freqüentemente, nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos." Bachelard


O lugar onde vivemos nunca teve tanta importância como agora. A casa se transformou num lugar de vivências, prazer, lazer e acolhimento. As pessoas se preocupam então, não mais com a casa cenário, auquele lugar de receber visitas, sala toda arrumada, intocável – mas sim com uma casa real. Ainda preparada para receber, mas agora mais do que nunca para acolher, deixar à vontade, inspirar afetos, instigar conversas, proporcionar abrigo.
Uma casa cheia de vida, cores e sabores. De coisas que contam histórias, paredes que evocam lembranças, a casa que abraça, enlaça e aninha.
Nossos pensamentos, nossa imaginação e nossos devaneios passeiam pelos aposentos da nossa casa, colam nos objetos que habitam nossos espaços e através de sua presença nos contam histórias, um espelho de quem somos, do que sonhamos.
A textura do nossa casa não está somente na aparência  que nos apresenta e na superfície das coisas que ela contém. Reside também - e principalmente - no aspecto etéreo do ar que envolve nossa morada, na atmosfera que paira e impregna os ambientes. Podemos sentir isso logo que entramos num ambiente, nosso olhar interno capta imediatamente as texturas do lugar: asperezas, suavidades, delicadezas, rugosidades, durezas...Nossa alma sempre vai na frente, abrindo os caminhos, lendo os mapas daquela existência. Quanta riqueza pra contar numa só casa!
Os armários e seus pertences, as gavetas cheias de acontencimentos. Coisas cheias de vida, carregadas de energia pulsante, contam nossa história, encontros e desencontros. Ás vezes falam por si: um livro aberto num capítulo, uma flor que murcha sem água num canto qualquer, anotações num pedaço velho de papel, uma foto alí, um quadro acolá...sempre querendo revelar, entregar. Muitos tesouros se escondem para todos os lados  de uma casa.


Mas os cantos das casas escondem os segredos, porque as casas falam! Ah, e como falam.
As casas sonham.

“ ... todo canto de uma casa, todo ângulo de um aposento, todo espaço reduzido onde gostamos de nos esconder, de confabular conosco mesmos, é, para a imaginação, uma solidão, ou seja, o germe de um aposento, o germe de uma casa” G.Bachelard in A Poética do espaço.



Hoje, dedicamos mais tempo em organizar, arrumar, adornar e harmonizar nossos ambientes porque sabemos de tudo isso, mesmo que inconscientemente. Os  espaços são pensados de maneira que o entorno nos signifique e seja sempre um pouco ou muito de nós mesmos, pra vivermos melhor em sin tonia com quem somos. Cercados de proximidade e de energias simpatizantes com nosso jeito de ser.
Arquitetos, artistas, decoradores, designers têm uma importância fundamental na construção dessa nova casa, suas feições e seu caráter. Não é á toa que a arquitetura conversa com a filosofia.
Todo bom profissional deveria ter essa questão sempre à frente do seu trabalho e de suas propostas: filosofar com os materiais e com a personalidade daqueles que irão habitar a nova casa, entrar em sintonia com os elementos que compõe aquele espaço, falar de poesia e afeto no dia dia, no sentido de criar harmonia e proporcionar bem estar, pra viver melhor.



Saturday, 15 May 2010

O Brasil é plural


Azul, rosa e amarelo.O Brasil é verde, preto, mulato, branco e de todas as cores.
O Brasil tem fome, tem sede e arde de desejos. É preguiça e vontade, ginga e criatividade.
Tudo-ao-mesmo-tempo-agora.
Samba no pé e Tom Jobim...o que falar da sonoridade e dos ritmos do Brasil ?!
Riqueza e diversidade: bossa nova, maracatu, berimbau, Tropicália, marchinha, frevo e percussão.
Música pra esquentar o coração.
Praia, sol, serra, frio e mar e muito amor pra dar...sua força reside justamente na sua sua maior fraqueza que é acreditar.
Tem Mula sem Cabeça, Curupira e Boitatá.Tem Saci-Pererê, Bernunça e Boi Bumbá.
Quadrilha, Frevo e Acarajé. Baiana, Carnaval e Forró.
Tem calor e tem frio mas braços sempre abertos ao céu...alma quarada em luz e sol.
Ahhhh, o Brasil, quanta coisa pra falar!
Quanta riqueza de possibilidades vejo e sinto no grande território chamado Brasil.
Difícil encontrar um modo imparcial de falar desse grande gigante, difícil apresentá-lo a um estrangeiro, assim através das palavras. Cheio de personalidades e particularidades, riquezas, belezas e contrastes.
De Norte a Sul, Leste a Oeste nosso lindo país é feito de misturas e texturas tão diferentes que as palavras entram em contradição nas inúmeras tentativas de decifrá-lo.
O Sul e seus imigrantes italianos, alemães, poloneses, portugueses. Sua cultura impregnada nos hábitos e costumes, na cara das cidades, seus jeitos e sotaques. Trabalhadores fortes e obstinados que transformaram um pedaço do grande território em pujança, fartura e qualidade de vida.
O Norte e seu povo mestiço, peito aberto, coração sofrido. Os indigenas e sua riqueza cultural, esquecidos e sobrepujados pela aculturação do homem branco. A grandeza e magnitude da mítica floresta Amazônica, a maior floresta tropical do planeta. Suas plantas, árvores frondosas, e ervas medicinais, recursos inestimáveis de pesquisas e promessas de cura. O caudaloso Rio Amazonas, o maior rio do mundo.
Na região amazônica, tudo é grande e farto, mas também grandes as ameaças do homem, predador diante de tantos recursos.
O Nordeste e sua natureza exuberante e exibida, onde sol, sal, mar e luz se juntam, pra dia após dia fazer um grande espetáculo e formar as mais belas paisagens. Sua gente alegre e amigável, pele morena, coração aberto. O que falta na mesa sobra no riso fácil e farto.
Como falar do Brasil e de sua gente sem levar em conta tantas diferenças e tantas riquezas tão diferentes.
O Centro-Oeste e seus minérios e diamantes, agora já superados pela sede de lucro e poder que agroindústria suplantou. Jóia preciosa da região, o Pantanal Matogrossense reserva ecológica da flora e fauna brasileiras.
Sudeste com suas grandes metrópoles, um amontoado de gentes vindas de todos os lados e de todos os jeitos, cada um em busca. Tentativas, erros e acertos de um povo que não desiste nunca. Suor e cansaço na luta e labuta de um dia melhor. Sempre a esperança.
Cada cidade com sua personalidade, feição própria e caráter. Construídas com um pouco daquilo que cada imigrante trouxe na bagagem: obstinação, alegria, pragmatismo, malemolência, força, coragem, determinação, espontaneidade e jogo de cintura, criatividade e calor humano.
Cidades com histórias pra contar, feitas de alegrias e tristezas encontros e desencontros.
O Brasil é assim, um vasto caldeirão de acontecimentos onde convivem lado a lado elementos e caracteristicas tão diferentes e tão complementares.