domingo, 17 de agosto de 2008

CECILIA MEIRELES

Tão longe tão perto;2002
Ast-MonicaCella
Quarto crescente 1999;
Ast-Monica Cella

É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso,

nem o sorriso para os infelizes

nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta

nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.

CECÍLIA MEIRELES (1962)

http://www.revista.agulha.nom.br/ceciliameireles04.html#preciso

Um comentário:

  1. quanta sabedoria! Tinha q ser Cecília Meireles, nossa poeta maior, postado p esta grande artista.
    Valeu!

    DE GRÁTIS
    (Pros meus amigos do Coletivo 0800)

    Não tem preço o tiro de um bacamarte.
    Não tem preço a volta inteira à cirandar.
    Não tem preço a investida da guiada
    e o som da virada no couro da Afaya.

    Não tem preço a noite pisada no coco.
    Não tem preço o coco tirado na loa.
    Não tem preço o dia frevado na rua.
    Não tem preço a lua cantada na praia.

    Não tem preço a chibatada do Careta.
    Não tem preço a rabada de um boi.
    Não tem preço o verso de improviso
    e quando liso, não tem preço a cortesia.

    Pouco esperada, não tem preço uma rasteira
    na capoeira e um aperto de mão.
    E de bandeja, a bola que oferecida
    faz a torcida explodir em alegria.

    Não tem preço viver simplesmente a vida

    ResponderExcluir