domingo, 25 de junho de 2006

A mais valia estetica da arte




A relação entre arte e capitalismo existe desde a muito tempo.
Na idade media, eram os detentores do poder economico, baroes e senhores feudais, quem contratavam os servicos dos artistas, atraves da encomenda de obras para seus castelos, estabelecendo-se desde entao uma relacao mercantil entre artista-obra-comprador.E asim prosseguiu, mais tarde no seculo XIII, com a igreja fazendo o papel de mecenas e encomendas aos artistas que por sua vez podiam viver de seu proprio trabalho.
O que acontece hoje é quase uma deturpação desta relação. Fica bastante claro quando nos propomos a fazer uma investigação nos diversos mecanismos que formam a dinâmica do circuito e do mercado de artes.
De um lado, os artistas, que produzem suas obras. A fim de mandá-las para o mundo, procuram a sua colocação nos devidos canais de circulação. De outro lado, os marchands, os leiloeiros,os críticos, os curadores, que no desempenho de suas funções, transitam entre dois mundos: o mundo poético dos artistas e o mundo real dos investimentos econômicos. Estabelecer uma relação entre o que é produzido e o momento em que vira mercadoria é somente uma questão de raciocínio lógico.Os mecanismos geradores da mais valia nas artes, principalmente nas artes plásticas, acontecem em razão direta da interferência do mercado capitalista sobre as obras.
A agregacao de valor a uma obra de arte acontece na medida em que a carreira do artista se desenvolve gradualmente e seus trabalhos vao adquirindo reconhecimento no circuito de artes atraves de varios fatores, tais como: premios obtidos, participacoes em eventos de artes de importância nacional e internacional, exposicoes individuais, etc.Enfim, uma trajetória sólida percorrida, e toda sorte de ocorrências que agreguem valor subjetivo e consequentemente econômico ao trabalho realizado pelo artista. Até aqui, todo este processo é bastante natural, e mesmo esperado das obras artísticas. A partir de um certo momento, em que o artista e o seu trabalho estão bem colocados no circuito de artes, começa também um processo de apropriação por parte do sistema capitalista da mais valia estetica que transforma a obra em fetiche, afim de explorá-la com intenção de ganhos econômicos.O que ocorre é uma super valorização do objeto de arte, que a partir de então é visto muito mais como uma mercadoria envolvida pelos processos do mercado e estrategias de marketing do que pelo seu valor estetico intrinseco.
Quanto mais elaborados os procedimentos fetichizantes agregados a obra, mais economicamente tem seu valor em alta no mercado, atingindo cifras astronômicas, supervalorizadas. O que acontece é que neste processo, muito do que é produzido hoje, é propositalmente direcionado a obter forçosamente esta valorização, esta aura artistica manipulada em ateliers-laboratorios sem muitas vezes ter um correspondente valor intrínseco na obra. O trabalho de um artista muitas vezes nem adquiriu o tempo necessario para seu amadurecimento.
Muitos personagens que compõe o circuito da arte, inclusive artistas, preocupam-se em construir seu nome, mais que sua obra a fim de obterem esta aura de supervalorização em seu trabalho.Os “mercadores” da arte por sua vez, vislumbram grandes possibilidades de ganhos em torno dos objetos artísticos, passam então a operar dentro da lógica capitalista, produzindo cada vez mais a mais valia-estetica da obra de arte. Estabelece-se assim um círculo vicioso difícil de se romper, onde cada um dos participantes tem seus interesses e benefícios garantidos.
Resta-nos, tão somente, levantar as questões pertinentes a ordem estabelecida, discutir-mos até onde pode ir toda esta engrenagem que embora valorize as obras economicamente, funciona mais como estímulo à produção de precários trabalhos que chamam de arte.




monica cella




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