sexta-feira, 7 de outubro de 2011

National Park De Hoge Veluwe e Museu Kröller Müller





Arte, arquitetura, lazer e natureza 

Tem coisas que sozinhas já são suficientes pra encher o coração de alegrias, mas combinadas com outros elementos ficam ainda melhor.
Assim é o Museu Kröller Müller uma viagem deliciosa pelos caminhos da arte, rodeado pela natureza exuberante e por jardins repletos de esculturas lindas. O museu fica dentro de uma imensa reserva natural: o National Park De Hoge Veluwe  pertinho da cidade de Apeldoorn, aqui na Holanda.
O parque é formado por 5.400 hectares de florestas, planícies e dunas. É o habitat de javalis, veados e muflões (sub família dos caprinos).
O parque por si só já vale a visita. Tem uma estrutura enorme que inclui áreas de lazer para crianças, restaurantes e outras atrações:  St. Hubertus Hunting Lodge Park e Country-residence (antiga residência da família Kröler-Müller), Museum Jachthuis Sint Hubertus (Museu da família Kröller-Müller), Visitor Centre/Museonder (Museu Subterrâneo), Kröller-Müller Museum (museu de artes) and the Sculpture Garden (jardim das esculturas).
Um diferencial do parque é que oferece cerca de mais de 1700 bicicletas param serem usadas pelos visitantes. Parte delas, as Bicicletas Brancas são gratuitas e estão espalhadas pelo parque em alguns pontos como entradas e áreas de lazer.
O sistema das Bicicletas Brancas vem lá dos anos sessenta, das idéias de Luud Schimmelpennink um expoente dos famosos PROVOS de Amsterdam (saiba mais sobre eles aqui). Schimmelpennink propôs ao governo holandês um sistema rotatório de bicicletas grátis, mas a idéia nunca vingou. Em 1975, De Hoge Veluwe National Park e o ANWB aderiram a idéia e de inicio ofereceram 50 bicicletas. A idéia deu muito certo e hoje o parque tem 1700 bicicletas brancas. São bicicletas de design simples sem acessórios e com selim e guidon ajustáveis na altura, assim qualquer pessoa pode pedalar confortavelmente. Têm também bicicletas pequenas para crianças (sem rodinhas de apoio), bicicletas com cadeirinha traseira ou dianteira. As bicicletas brancas são grátis e funcionam num sistema de rotação, não pode ser cadeadas. Assim que você larga sua bike branca nos compartimentos outra pessoa pode imediatamente pegá-la. As bicicletas brancas não podem ser reservadas, você tem que contar com a sorte. Nas entradas do parque é aconselhável chegar cedo pra pegar bikes disponíveis. Como o sistema é rotativo sempre sobra bikes na parte central do parque.Elas se encontram nas entradas do parque que são três: Hoenderloo, Otterlo, Schaarsbergen; na parte central Merchantplein, Jachthuis Stint Hubertus e perto do Kröller-Müller Museum.


                                          Fotos by Monica Cella

Mas se você quer garantir ter sua bike o tempo todo durante sua estadia no parque, pode alugar as Bicicletas Azuis. Você pode aluga-las por 3,50Euros por dia p/pessoa. Nesse caso as bicicletas têm cadeados e sua bike permanece garantida. O parque oferece todos os tipos de bikes: Bicicletas especiais como Backfiets (bicicletas com caixas para carregar até 4 crianças), bicicletas para quem tem necessidades especiais (nesse caso gratuitas) como cadeiras de rodas que podem ser adaptadas em outra bike, tandem bikes (bicicletas duplas), triciclos, bikes elétricas, etc.
Todas essas bikes especiais têm que ser reservadas com um dia de antecedência no Email  reserveringen@hogeveluwe.nl   - custam 10 euros p/dia p/pessoa.



*A foto acima foi "emprestada" do website do Parque;
*O parque também oferece equitação com aluguel de cavalos;
*Horário de funcionamento do parque aqui


A história do museu começou quando Helene Kröller-Müller (1869-1939) comprou sua primeira obra de arte . Ela nasceu numa família de prósperos e ricos industriais alemães, casou-se com o holandês Anton Kröller, por sua vez também um rico empresário. Os Kröller-Müller dotados de grande idealismo foram os responsáveis pela existência do Museu que hoje leva seu nome e pelo parque onde está situado. Helene foi uma mulher apaixonada pelas artes, dedicou-se a aprender sobre o assunto com H.P. Bremmer, um educador na apreciação das artes. Bremmer frequentava sua casa assiduamente e incentivou-a a colecionar obras de arte. A partir de 1905 ela inicia sua coleção através dos conselhos de Bremmer e mais tarde ela mesma passa a escolher os trabalhos que compra.
A pedido do casal Kröller- Müller,  Bremmer freqüentava leilões de artes, estúdios de artistas e negociantes de artes a fim de encontrar peças para incrementar sua coleção. Em poucos anos Helene possuía uma vasta coleção de obras de Van Gogh seu artista preferido.  Durante toda sua vida ela comprou mais de 11.000 obras e objetos de arte. O arquiteto Henry van de Velde também ajudou-a como conselheiro na compra de algumas obras. A coleção de obras de Van Gogh é a segunda maior do mundo, atrás apenas da coleção da família do artista (hoje pertencente ao Museu Van Gogh).
Anton era um entusiasta da caça o que o levou a comprar muitas terras e fazendas ao longo dos anos. A reserva onde hoje se situa o parque era propriedade dos Kröller- Müller. Eles moraram por alguns anos na St Hubert Hunting Lodge que foi projetado especialmente para o casal pelo famoso arquiteto holandês HP Berlage.                    
Helene tinha tantas obras que chegou até mesmo expor sua coleção numa das salas da empresa do marido. Os interessados marcavam hora para apreciar as obras. Visionária, um dia sonhou em construir um museu para abrigar sua vasta coleção de obras de arte. Seu sonho era compartilhado pelo marido e juntos eles encomendaram projetos do museu de Ludwig Mies van der Rohe e Peter Behrens.As maquetes podem ser vistas no próprio museu ainda hoje.
Mais tarde, tempos difíceis vieram e a crise atingiu os negócios dos Kröller-Müler. Consequentemente a coleção de artes ficou ameaçada. Assim, em 1935 o casal encontra uma solução para manter a coleção de artes intacta: fazem uma doação da coleção para o Estado e assim criou-se uma Fundação devidamente amparada pelo Estado. Na condição de o governo mantê-la coesa através da construção de um museu. Em 1938 o Museu Kroler-Müller abre suas portas tendo com diretora Helene. Mas ela desfrutou de seu sonho por apenas 1 ano, vindo a falecer em 1939.
Atualmente a coleção se ampliou e inclui obras de George Seurat, Pablo Picasso, Fernand Leger, Piet Mondrian, Josef Albers, Jenny Holzer, Louise Bourgeois, Anselm Kiefer, Anish Kapoor,  Donald Judd, Richard Serra, Walter Leblanc  entre muitos outros.
Na parte externa do museu tem o Jardim das Esculturas, onde obras e natureza se misturam em perfeita harmonia. Nos anos 50 o diretor do museu Bram Hammacher iniciou a ampliação da coleção com a aquisição de esculturas. Obras de Donald Judd, Alberto Giacometti, Sol LeWitt, Bruce Nauman, Rodin, Henry Moore, Claes Oldenburg, Barbara Hepworth, Richard Serra, Mario Merz, Jean Dubuffet entre outros contemporâneos

O parque tem muitas atrações e precisa ser visto sem pressa. Por isso uma ida apenas não é o suficiente, programe-se pra chegar cedo.







 
  

*As duas últimas fotos acima foram emprestadas do website do Parque Hoge Veluwe

 Links
*Jardim das Esculturas, mapa


*De Amsterdam, transportes publicos: trem da Centraal Station para Apeldoorn;
na estação central de Apeldoorn tem ônibus regulares para o Parque: linha Turistica 400, para perto do museu; linha 108 para na entrada Hoenderloo que fica cerca de 5km do centro do parque e do Museu Kröller-Müller. Logo na entrada Hoenderloo tem um estacionamento de Bicicletas Brancas (grátis). Também tem um estacionamento de carros e uma estrada principal que leva até o centro do parque, onde você pode deixar seu carro e pegar uma bicicleta. 



Helene Kröller-Müller...
‘Part of the intention of forming this collection was to show - to prove - that abstract art is not something insurmountable but that it has always existed. That is why you find new and older works here side by side. I meant to use the old to support the right of the new to exist.’

Sobre Van Gogh:
‘His value lies not in his means of expression, his technique, but in his great and new humanity. He created modern Expressionism.

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