segunda-feira, 19 de maio de 2008

FRONTEIRAS DO OUTRO




Através do tempo, trilhamos caminhos que nos colocam constante e permanentemente em contato com outros seres.
No início da jornada somos apenas um estado de latência, esperando pelo toque mágico da transformação que o mundo nos provoca, e vai acontecendo aos poucos.Abandonados a nós mesmos e carentes de toda sorte de necessidades vamos bravamente superando as dificuldades e aprimorando e adquirindo suportes que nos permitem continuar avançando.Cada vez mais nosso processo vai amadurecendo e nosso “software” se sofisticando.Vamos elaborando conteúdos vividos e construindo a nossa bagagem, nosso ser enfim que aos poucos vai se esboçando.
Mas é no contato com o outro que acontece a possibilidade de crescer, de vivenciar e elaborar meu ser.Na fronteira com o outro, onde crio atritos, pontos de encontros ou afastamentos, que a necessidade do outro se torna vital, orgânica e imprescindível para tornar-me quem realmente sou.Na cultura cristã em que vivemos, fomos ensinados a refutar o embate, evitar o confronto.Porém como saber de mim mesmo, sem esses pontos de atrito com meu semelhante.Instigado pela presença/diferença do outro busco saber e conhecer como e quem realmente sou.Uso o outro, e só através do outro, pra estabelecer minha própria escala e minhas medidas internas.E no conflito construo e reconstruo a mim mesmo, inúmeras e infinitas vezes.
O processo de crescimento percorre caminhos e possibilidades infinitas.Vamos fazendo escolhas, renunciando a tantas outras e assim produzindo acontecimentos e provocando mudanças por onde passamos em quem tocamos. Vamos nos lapidando, aparando arestas aqui e ali, num permanente fluxo e refluxo de si mesmo.Damos um passo à frente, recuamos dois.E assim nos inscrevendo no mundo, provocando desequilíbrio e sendo desequilibrados.

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