quinta-feira, 15 de março de 2012

O GRUPO COBRA


Corneille, Fête Nocturne. 1950, ost, 100x90m

Arte e liberdade, um vôo além da razão

"A nova liberdade está prestes a nascer, uma que permitirá às pessoas para satisfazer seus desejos criativos Como resultado deste processo, a profissão de artista deixará de ocupar uma posição privilegiada,. É por isso que alguns artistas contemporâneos são resistentes a ela .No período de transição, a criação artística encontra-se em guerra com a cultura existente e, simultaneamente, anunciando uma cultura do futuro. Com este duplo aspecto, a arte tem um papel revolucionário na sociedade ". Karel Appel

COBRA. A sigla se refere às iniciais dos três países de onde vieram os principais criadores do movimento. Asger Jorn (COpenhagen), Joseph Noiret e Christian Dotremont (BRussels) e Constant, Corneille e Karel Appel (Amsterdam).
Movidos pela impetuosidade, originalidade e subversão, eles transformaram as artes. Deixaram sua marca forte e inconfundível no curto período de tempo que existiram (1948 a 1952) influenciando as gerações futuras. Nasceram num movimento de rebeldia, para inovar através da arte.
O contexto – 1948/1952
Numa Europa devastada pela guerra, maculada pela barbárie do holocausto nazista, crescia a idéia de unificação nos países, de juntarem forças, idéias e ideais.  O espírito daqueles tempos era de reconstrução, superação, de apontar novos caminhos. Envolvidos nesse fértil e agitado ambiente os artistas se movimentavam em busca de algo novo. Engajados política e intelectualmente usavam sua arte para expressar seus anseios e angústias, numa tentativa de explicar as misérias e dores humanas, de purgar e transcender os horrores (da guerra) recém vividos. A arte estabelece esse contato, faz essa ligação com o humano, funciona como uma espécie de catarse, de purificação dos conteúdos latentes no inconsciente coletivo. Assim nasceu o Grupo Cobra. Imersos nesse caldo social e político eles procuravam.
O movimento nasceu formalmente em Paris em 1948 a partir da fusão de três grupos de arte experimentais oriundos da Europa do Norte: Revolutionary Surrealist Group (Christian Dotremont - Bruxelas); Host group (Asger Jorn - Copenhagen) e Die Experimentele Groep (Karel Appel, Corneille, Joseph Noiret e Constante – Amsterdam. Esses artistas participavam de uma conferência em Paris chamada International Center for the Documentation of Avant Garde Art. Contrários as idéias dos surrealistas e pela falta de seriedade nos debates que aconteciam, deixaram o local em protesto. Dirigiram-se ao Cafè Notre Dame onde Dotremont redigiu um manifesto chamado La Cause Était Entendue’ (O caso foi ouvido). Uma resposta a outro manifesto dos surrealistas franceses. Os artistas assinaram o documento
Opunham-se ao Surrealismo (especialmente depois de atingir certo sucesso comercial no final da II Guerra Mundial), à racionalidade da abstração geométrica, aos dogmas do Realismo Socialista e da estética burguesa associada à Ecóle de Paris. Denunciavam a estagnação da arte, a distorção da sua natureza simples e pura e sua conseqüente condenação pelos mesmos meios que a criaram. A agitação entre os artistas contudo, começou muito antes. Dotremont conjugava com o Surrealismo porém rompeu com o grupo em 1945 quando seu líder Breton voltou dos EUA (onde se refugiou da Guerra). De volta à Europa Breton rompeu com o Partido Comunista e levou o Surrealismo por caminhos mais místicos do que políticos. Nesse momento Dotremont rompe com o Surrealismo e funda o Revolutionary Surrealist Group. Mais tarde se juntaram ao grupo arquitetos, escritores e poetas.




                                        Anton Rooskens. Africa simbols, 1958. 106x122m



"the only reason to maintain international activity is experimental and organic collaboration, which avoids sterile theory and dogmatism"
A idéia principal do Cobra como todo movimento de vanguarda, era quebrar com padrões estabelecidos e criar uma nova maneira de expressar sua arte. Liberdade de técnicas, de gestos e idéias. Acreditavam na arte como intuição, liberdade de criação sem planejamento prévio, um espaço onde uma nova arte se manifestar livremente, apontar saídas ao conformismo. O ato de pintar, o processo criativo deveria ser o mais espontâneo possivel, diretamente sobre o suporte. Cores primárias, formas precárias. Grossas camadas de tinta, grandes formatos, movimentos vigorosos e gestuais. Temas fantásticos, animais grotescos, seres deformados, garatujas infantis, traços inacabados e desajeitados. Buscaram no universo infantil a fonte de inspiração para suas obras e seu fazer. A vitalidade e energia pura dos desenhos e pinturas das crianças. O olhar e a mão da criança ainda não contaminada pelo conhecimento ou corrompida pela cultura, livre de regras, normas e saberes inúteis. Também beberam na fonte da Arte Primitiva, Folk Art, Mitologia Nórdica, graffiti, na arte de Miró e Klee. Incorporaram a poesia e a literatura à sua arte, imprimindo um forte caráter político na sua proposta. Muitos deles eram de fato envolvidos e engajados politicamente, comunistas e marxistas. Tornaram-se um objetivo a alcançar.O Grupo Cobra durou pouco (se desfez em 1951), mas foi intenso tal qual sua proposta. Durante sua existência deixou marcas profundas e indeléveis na arte.






Corneille.1948 - ost,100x100m



*Em Amstelveen (9km de Amsterdam) existe um museu do Grupo Cobra com várias obras dos principais membros e exposições temporárias de outros artistas. O Museu fica numa área comercial, com várias lojas e restaurantes. Vale a pena uma visita. Válido o Museumkaart.
Atualmente está acontecendo a exposição: Klee and Cobra a child's play - 28/01/12 a 22/04/12


COBRA MUSEUM - em Amstelveen +- 9km de Amsterdam
A partir do centro pegue o TRAM 5 direção Binenhof; ultima parada. O museum fica na parte oposta da parada do tram, uma área comercial chamado Stadshart Amstelveen - Sandbergplein 1, Zip 1181 ZX.
Onibus apartir de Amsterdam: 170,171,172 parada Busstation Amstelveen
A partir do Schiphol: bus 300, parada Busstation Amstelveen
A partir da Station Zuid,WTC: bus 199, mesma parada acima.




Christian Dotremont



*Livro sobre o GRUPO COBRA: Stokvis, Willemijn. Cobra, the Road to Spontaneity


Quem foram os artistas do Cobra?


Karel Appel (1921-2006)
Corneille (1922)
Pierre Alechinsky (1927)
Else Alfelt (1910-1974)
Jean-Michel Atlan (1913-1960)
Ejler Bille (1910-2004)
Pol Bury (1922-2005)
Jacques Calonne (1930)
Hugo Claus (1929-2008)
Lotti van der Gaag (1923-1999)
William Gear (1915-1997)
Stephen Gilbert (1910-2007)
Svavar Guðnason (1909-1988)
Henry Heerup (1907-1993)
Edouard Jaguer (1924-2006)
Aart Kemink (1914-2006)
Lucebert (1924-1994)
Ernest Mancoba (1904-2002)
Jørgen Nash (1920-2004)
Jan Nieuwenhuys (1922-1986)
Erik Ortvad (1917-2008)
Pieter Ouborg (1893-1956)
Carl-Henning Pedersen (1913-2007)
Raoul Ubac (1910-1985)
Serge Vandercam (1924-2005)



Da esq. p/ dir. Corneille, Appel e Constant. Paris, 1949.


Karel Apple






2 comentários:

  1. Boa tarde, Mônica!!
    Passando para deixar beijuzinhos e dizer que não me esqueço de você. Tenho acompanhado o blogue pelo feed.
    Beijus,

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  2. Luma querida!
    super obrigada, vc é um amor!
    tbm não esqueço de ti, mesmo sem deixar recados acompanho vc, beijão

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