sábado, 23 de fevereiro de 2013

STEDELIJK MUSEUM - Alzheimer`s Program



    All images via Moma.org

    
STEDELIJK, engajando arte como função social


Qual a função da arte? 

particularmente faço parte de um grupo que acredita que a arte não tem função. Falo isso da grande arte, aquele tipo de arte que realmente fez/faz a diferença no mundo. Falo de Rembrandt, Vermeer, Van Gogh só pra citar alguns. Essa arte situa-se num espaço onde poucos chegaram/chegam. Mesmo a arte "menor" se posso me referir assim não tem função, embora muitos insistam em dar função a arte. Mas isso é assunto pra lá de complexo. O que eu acredito é na função social da arte dentro de um contexto ou dentro de uma comunidade, aí sim ela pode exercer um grande e importante papel.

Mas o que isso tem a ver com o que eu vou falar aqui?

Começa em abril 2013 no Stedelijk Museum de Amsterdam  (em colaboração com o Van Abbemuseum de Eidhoven) um programa voltado para um publico especial: portadores de Alzheimer e seus cuidadores. Inspirado num programa similar do MOMA de Nova York, o  "Meet me at Moma"  o Stedelijk vai oferecer atividades guiadas especialmente elaboradas para a apreciação de arte. As visitas acontecem em horários em que o museu está fechado para o público. Sem distracões, os participantes tem o ambiente mais confortável e seguro a sua disposicão. O Moma oferece encontros mensais de 90 minutos para grupos de 6 pessoas. (O programa é voltado para portadores num estágio de demência leve/média.)

Com o crescente aumento do Alzheimer no mundo, cada vez mais pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente com a questão. A partir dessa perspectiva o museu oferece a arte como um agente de apoio, interação e integração com os envolvidos. A arte pode ser acessada sem a necessidade da memória de curto ou longo prazo. A fruição de uma pintura ou de uma escultura por exemplo não implica na interferência da razão/lógica. A linguagem pela qual a arte se manifesta é puramente sensorial: formas, cores, padrões, ritmos, livre associação. Manifestações de ordem estética.  Assim sendo os portadores de Alzheimer podem se beneficiar do contato, da exploração livre e espontânea das obras monitorados por guias especialmente treinados. O programa propõe experiências significativas com arte,  permitindo ao público interagir através das obras. Conversas sobre os trabalhos apresentados, perguntas e respostas. A experiência pode funcionar como um link entre a vida pessoal e o mundo, uma janela de trocas entre fantasia e realidade, além de estimular as funções cognitivas. Além dos benefícios ao portadores de Alzheimer o programa também atinge os cuidadores através de seu envolvimento com todo o contexto da atividade. Interação social com outras pessoas com experiências similares, estímulo e interesse próprio provindo  da apreciação da arte, uma quebra no isolamento do extenuante dia a dia em que estão inseridos.

Uma experiência louvável que poderia render mais frutos pelo mundo afora. Com meios mais simples e com os recursos disponíveis que estão ao alcance de cada local especificamente. Cidades que não dispõem de bons museus por exemplo poderiam organizar atividades similares com artistas locais através de ações voluntárias - com o devido apoio das prefeituras, governo ou entidades específicas (Lions Club, Rotary Club, Ongs, Clubes, Associações Culturais, Fundações Culturais). Engajar profissionais especializados tais como médicos, arte educadores,  para dar suporte. Até mesmo beneficiar-se das Leis de Incentivo à Cultura. 

Vários museus nos EUA já aderiram a programas smiliares e também o Louvre Museum em Paris entrou na lista de museus participantes.

Abaixo documentos completos (do website do Moma) com todas as informações necessárias, disponibilizados a quem se interessar em implementar programas similares:

*Foundations for Engagement  with Art  - Todas as explicações para iniciar um projeto de arte com pessoas portadoras de Alzheimer (pdf, em inglês -do site Moma.org)
*Guide for Museums- guia completo para os museum interessados em implementar o programa (pdf, em inglês - so site Moma.org)
*Guide for Care Organizations - guia para organizações interessadas no programa (pdf, em inglês - so site Moma.org)
*Guide for Families - para as familias com pessoas portadoras do Alzheimer interessadas em participar do programa (pdf, em inglês - so site Moma.org)


Pra quem quer saber mais sobre o programa do Moma aqui tem o link.

O Stedelijk fica na Museumplein, mesmo local onde estão o Van Gogh Museum  e o Rijksmuseum em Amsterdam.



All images via Moma.org

4 comentários:

  1. São experiências que ainda não são validadas, mas não custa tentar! Se o Alzheimer faz a memória definhar, pessoas ligadas à arte seriam beneficiadas. Acredito que fazer arte seja mais importante que apenas olhar. Melhor usar a arte como veículo dos 5 sentidos e quem sabe desenvolver um sexto sentido? Beijus,

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  2. Mônica, que iniciativa maravilhosa. Tenho que passar mais vezes pelo seu blog. Parabéns.

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  3. Luma, obrigada pela visista e pelo comentário!
    no site do Moma a Universidade de Nova York apresenta um estudo q aponta os benefícios desse programa, a idéia na verdade é que a arte sirva apenas como uma ferramenta, talvez o maior benefício seja de socialização o que já é de grande valor né
    beijo e obrigada!

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  4. Clarissa...eu tbm achei muito legal esse programa, acredito que toda atividade bem intencionada e bem feita tem muito valor, especialmente quando se trata de pessoas que vivem à margem da vida

    obrigada pela visita e pelo comentário tbm, beijo!

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